O teste de esforço ou teste ergométrico é o registro da atividade elétrica do coração durante o esforço físico. Além dos achados do eletrocardiograma durante o esforço, este teste permite ainda avaliar o comportamento da pressão arterial, os sintomas do paciente e a sua aptidão física.

Uma das finalidades do teste de esforço é detectar a presença, e o risco de complicações, da doença arterial coronariana (obstrução das artérias do coração por placas de gordura, chamadas de ateromas). Angina do peito, infarto do miocárdio e a morte súbita, são algumas das possíveis manifestações da doença arterial coronariana. Neste contexto, o teste de esforço deverá ser indicado em alguns grupos de indivíduos, mesmo sem sintomas (assintomáticos):

  • Em homens assintomáticos com mais de 45 anos de idade e que apresentam fatores de risco para a doença arterial coronariana (colesterol total maior que 240 mg/dl, hipertensão arterial, tabagismo, diabete melito e histórico familiar infarto do miocárdio ou morte súbita em um parente de primeiro grau, com menos de 60 anos de idade). O mesmo raciocínio vale para as mulheres com mais de 55 anos (menopausadas)
  • Em pacientes com diabete melito com mais de 35 anos, diabéticos do tipo 2 há mais de 10 anos, diabéticos do tipo 1 há mais de 15 anos e diabéticos com complicações microvasculares (retinopatia, doença renal ou neuropatia)
  • Em pessoas assintomáticas que desejem iniciar um exercício físico vigoroso (atividade desportiva) ou que tenham uma profissão que coloque em risco outras pessoas (exemplo:piloto de avião). Na grande maioria dos casos, o teste de esforço é realizado com esteira, no entanto, a bicicleta também poderá ser utilizada. O teste de esforço pode ser parte integrante de outros exames como a cintilografia de perfusão miocárdica, o ecocardiograma de estresse e a ergoespirometria





Orientações antes do exame

  • O paciente deverá realizar uma refeição leve, no mínimo duas horas antes do exame. Deverá comparecer ao local com roupa apropriada para a prática de exercício físico (calção , moleton , tenis , etc…). Mulheres deverão comparecer ao local do exame com sutiã que não possua componente metálico. Nos homens, poderá ser necessária a raspagem dos pelos do tórax (tricotomia)
  • Os medicamentos de uso contínuo poderão ou não ser suspensos, de acordo com a finalidade do exame (para diagnóstico ou para avaliação do tratamento). Em caso de dúvida, consulte o médico solicitante do exame. Caso seja necessária a suspensão dos medicamentos, o tempo desta suspensão poderá variar de 1 até 30 dias, dependendo do medicamento. Geralmente o médico solicitante orientará o paciente neste aspecto


Como é feito o exame

  • O teste de esforço deverá ser realizado em um local apropriado para o exame (um médico treinado, equipamento adequado e material de emergência, incluindo equipamento para desfibrilação)
  • O teste de esforço consiste em submeter o paciente a um esforço físico crescente, através da utilização de um ergômetro, que pode ser uma esteira (o mais comum) ou uma bicicleta. Utilizam-se protocolos (programas que determinam a forma de acelerar e/ou inclinar a esteira), de acordo com as características clínicas do paciente e a finalidade do exame
  • Antes de iniciar o teste de esforço, realiza-se um eletrocardiograma de repouso e a medida da pressão arterial. A medida que o paciente realiza o esforço físico, é obtido um registro eletrocardiográfico contínuo (gravado no computador), além de medições periódicas da pressão arterial por um auxiliar
  • Periodicamente será perguntado ao paciente a respeito de seus sintomas ao esforço, como cansaço (esse deverá ser quantificado), falta de ar, dor no peito, peso nas pernas, tonturas, etc. Após o término do esforço, realiza-se na recuperação, um novo eletrocardiograma e uma nova medida da pressão arterial
  • Geralmente o objetivo do teste de esforço é fazer com que o paciente atinja pelo menos 85% da freqüência cardíaca máxima (FCM). A FCM é obtida pela fórmula 220 – a idade. Por exemplo: um paciente de 40 anos terá uma FCM teórica de 180 (resultado de 220-40) batimentos por minuto (bpm). Durante o teste ergométrico, este paciente deverá atingir 153 bpm,ou seja, 85% de 180 bpm
  • O exame ainda poderá ser interrompido pela presença de exaustão física, anormalidades graves do eletrocardiograma , aparecimento de angina do peito severa, elevação excessiva da pressão arterial ou outras situações indicativas de risco associadas ao esforço físico





Indicações

  • Diagnóstico de doença arterial coronariana, comprometimento das artérias do coração por placas de gordura ou ateromas, em pessoas com dor torácica ou não, desde que haja uma suspeita da doença. É importante salientar que o teste de esforço apresenta limitações para o diagnóstico desta doença, pois a sensibilidade (capacidade do teste de esforço em diagnosticar a doença) e a especificidade (correlação do teste de esforço alterado com a presença real da doença) são inferiores a 70% e 80%, respectivamente. Logo, existem casos de teste de esforço falso-positivos (o teste de esforço altera, mas não há doença) e falso-negativos (o teste de esforço é normal, mas o paciente apresenta doença)
  • Avaliar o risco de complicações futuras em pessoas com doença arterial coronariana já conhecida
  • Após o infarto do miocárdio, dias após o início do quadro, para avaliar a condição cardíaca do paciente para o retorno das atividades físicas
  • Em pessoas assintomáticas que sejam diabéticas, que desejem iniciar um exercício físico vigoroso ou tenham uma profissão que coloque em risco outras pessoas
  • Em pessoas assintomáticas que desejam realizar atividades físicas competitivas (atletas profissionais)
  • Em pessoas assintomáticas que desejam realizar exercícios físicos e que tenham fatores de risco para a doença arterial coronariana
  • Avaliar a condição cardíaca de algumas pessoas com doenças das válvulas cardíacas
  • Avaliar a condição cardíaca de pacientes que serão submetidos ou que foram submetidos a uma angioplastia coronariana ou uma cirurgia de ponte de safena
  • Avaliar a condição cardíaca de pacientes com arritmias e distúrbios de condução elétrica do coração ou que tenham um marca-passo artificial
  • Como parte integrante de outros exames como a cintilografia de perfusão miocárdica, ecocardiograma de estresse e ergoespirometria





Riscos

O teste ergométrico é um exame muito seguro. Na população geral, a ocorrência de complicações graves (exemplo: infarto do miocárdio ou arritmias cardíacas graves ao esforço) é de cerca de 0,05%, ou seja, uma complicação em cada 2.000 exames . O risco de morte é ainda menor: uma morte em cada 10.000 exames (0,01%).